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O documentário a Negação do Brasil, de Joel Zito Araújo, foi lançado no ano de 2000 e aborda o tratamento dado às negras atrizes e aos negros atores da teledramaturgia brasileira. Dez anos depois, a Rede Globo lançou a novela Viver a Vida, que trouxe a primeira protagonista afrodescendente, a Helena vivida pela atriz Taís Araújo. Neste blog, vamos refletir sobre o que mudou ou não mudou, na telenovela brasileira. Um abraço!



domingo, 27 de junho de 2010

Aconteceram mudanças?!

Já sabemos que as mudanças de dez anos para cá foram foram mínimas. Mas, precisamos construir outros direcionamento para os dez anos que virão.
"Quanto a questão de ser ou não racista, depende da análise feita. Pois, ainda que tenhamos uma Constituição, entre outros instrumentos legais, como o Código Penal, que define o que é racismo, não resta dúvida, que nem sempre é possível enquadrar certos comportamentos sociais, do ponto de vista legal, como racismo, mas, do ponto de vista histórico, sim.
O racismo no Brasil é muito sutil, sorrateiro, quando não “invisível”, quando observado pela ótica da Lei.
Nesse sentido, o olhar do jornalista, ao confundir a Juíza como camareira, é o mesmo do senso comum que tende a reproduzir o papel subalterno do negro e da negra, ainda que estes estejam socialmente em posição de destaque. Sendo assim, um negro dirigindo é sempre o motorista; correndo é sempre em posição de fuga; quando abre a porta é sempre a empregada; vestido de jaleco branco é sempre o enfermeiro; vestido de pateto é sempre o segurança".
Roquildes Ramos

"Somos narcisistas, queremos aparecer! Se não fizer não aparece e se fizer acaba não aparecendo também. Deus está me iluminando por está desenvolvendo um trabalho, a peça Os Filhos da Abolição, que conta desde a escravidão até os dias atuais. E isso estar me completando como artista. Dirigindo a peça sem guerra e sem magoa. Preciso transformar a minha fama, visibilidade e status em oportunidade e benefícios para meus iguais.
A Lei nº 10.639 veio para isso para desmistificar uma mentira dos livros didáticos do passado que nos enganou, não cabem mais mentiras. Os livros didáticos, com relação ao negro, são iguais aos produtos da mídia, feitos em cima da questão racial".
Cristovão da Silva
"O debate racial é tolerado, enquanto estar confinado às fronteiras do Movimento Negro, no momento que ele pauta a sociedade brasileira, instituições historicamente tidas como nichos das elites branca desse país, reagem, reação orgânica de intelectuais, do patrimônio da mídia nacional. Mídia é o grande partido que o Brasil tem, inclusive no sentido de organizar a dita opinião pública, que condiz com o que eles verbalizam sistematicamente através do aparelho eletrônico. Então, é essa opinião pública: a manipulada pela mídia. Eles sofrem ameaças, com as políticas de ação afirmativa, com mais negros na universidade, mais negros estudando a sua história, daqui a dez anos terá uma repercussão enorme na sociedade brasileira, de maneira positiva. Esses agentes precisam sufocar essas vozes.
Penso que a Lei nº 10.639 é a salvação, não é a única possibilidade de mudança da mentalidade brasileira, mas é um instrumento estratégico para discutir o racismo cristalizado, no imaginário social do brasileiro".
Olívia Santana

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