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O documentário a Negação do Brasil, de Joel Zito Araújo, foi lançado no ano de 2000 e aborda o tratamento dado às negras atrizes e aos negros atores da teledramaturgia brasileira. Dez anos depois, a Rede Globo lançou a novela Viver a Vida, que trouxe a primeira protagonista afrodescendente, a Helena vivida pela atriz Taís Araújo. Neste blog, vamos refletir sobre o que mudou ou não mudou, na telenovela brasileira. Um abraço!



domingo, 27 de junho de 2010

A protagonista Taís Araújo na novela "Viver a Vida"

"A Thaís Araújo foi a primeira tentativa fracassada da negra no horário nobre da rede Globo. Ela começa com o anúncio de protagonista, mas, no decorrer da novela o papel foi fortemente esvaziado, Araújo ficou sem função na novela, não conseguia ser sujeito, a drama não se deu em torno da sua personagem. Na verdade, houve um deslocamento aberto do que seria Thaís Araújo para Aline Moraes.
A novela com o prenúncio, com a ideia de protagonista negra, anima a população negra brasileira, mas, no caminho novamente se resgata o compromisso pétreo da mídia, que é a garantia do branco como agente da redenção, o herói, enfim, o centro da atenção tem sempre que se dá diante de um personagem branco. A Aline Moraes acabou cumprindo esse papel, ela sai da condição de vilã, do início da novela, de uma menina intringenta, contra a Helena e depois ela vira a personagem que é amada por todos. A nação brasileira é convocada a erguê-la ao lugar de protagonista".
Olívia Santana

"Eu penso que a princípio, ela aparecia como protagonista da novela, do meio para o final tiraram o protagonismo, a atuação e o prestígio de Thaís. Inicia a novela em cima, depois a colocam para baixo. Algumas pessoas falam para mim e para nós artistas negros, que nos devemos aparecer na televisão seja qual for o papel, não importa o que vai fazer, tem que fazer para aparecer. De certa forma ela precisou disso, para aparecer.

Mas, internamente, causa disconforto e ela sabe disso. Com fica quando sai da filmagem? Que referência ela estar passando para milhões de pessoas que estão assistindo? Então é melhor não fazer?"

Cristovão da Silva

"A atriz Taís Araújo, na personagem Helena, recebeu muitas críticas, dos telespectadores, sobretudo, dos críticos de novelas, jornalistas, Movimento Negro etc. Nota-se, que, talvez, estas críticas não apenas se justifiquem pelo fato do caráter da personagem, mas, ainda, que inconsciente, à intolerância de muitos, em não aceitarem uma negra ocupando os espaços, historicamente, constituídos pelas atrizes brancas.

Algumas pessoas debruçaram-se num debate fervoroso em razão de alguns capítulos, nos quais, a personagem Helena era humilhada. Entre as opiniões, marcou o fato de que Taís Araújo, por ser mulher e negra, não deveria se permitir a tal situação, a ponto de ficar de joelhos e levar uma bofetada no rosto.

Percebo que negras e negros são protagonistas dos papéis secundários, pois, todas as personagens, que reafirmam os estereótipos negativos da família e mulher negras, do homem negro, são contracenados por eles, mostrando que somos sempre os bandidos, mal educados, os drogados, as empregadas doméstica, os capangas e outros".

Roquildes Ramos

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