O documentário "A Negação do Brasil", de joel Zito Araújo trata da atuação, em papéis secundários, das atrizes negras e dos atores negros, nas telenovelas brasileiras. Tendo o documentário como um dos referenciais para a dicussão, verificamos a sua importância.
"Já é pauta antiga do Movimento Negro, no país, lutar pela mudança do padrão branco, como ideal de beleza, veiculado pelas emissoras brasileiras, que fazem dramaturgia nas telenovelas. Cito de Joel Zito Araújo, o livro “A Negação do Brasil” e o documentário com o mesmo título, como grandes referências, na luta contra a ausência dos negros e negras na Televisão brasileira". Roquildes Ramos
"Fui convidado para fazer uma palestra, e na época o ministro da Igualdade Racial, era Edson Santos. Ele disse que foi conversar com os representantes das grandes emissoras Globo, Bandeirante, Record e nenhuma delas têm o interesse de falar sobre o verdadeiro papel e contribuição da civilização africana para o Brasil e para o mundo, nem contar, com ocorreu todo o processo de escravidão e valorizar os artistas negros. Não tem interesse mesmo, apenas a Record se dispôs a conversar.
Os artistas atores negros e atrizes negras estão limitados a ser só isso. O quê fazer? Eu pelo menos estou tendo uma alternativa. Depois de fazer o filme Ó Pai Ó, e duas edições da minisérie, que só acontecem uma vez no ano, em comemoração ao 20 de novembro, temos a seguinte questão: A gente só existe nesse período? E depois dessa data o que é feito dos artistas de Salvador e do Bando de Teatro Olodum? Artistas conhecidos internacionalmente, você vê fazendo algum comercial? Continuamos como os artistas negros documentados por Joel Zito, sem visibilidade". Cristovão da Silva
"Na verdade o que foi retratado por Joel Zito Araújo, que é uma figura extraordinária, que pensa a comunicação e consegue extrair esse universo de negação simbólica do negro, na mídia brasileira, é impressionante, como dez anos depois continua atual aquilo que ali foi denunciado.
Como é contemporâneo, porque na verdade nos negros não temos a propriedade nem parte da propriedade dos meios de comunicação. Ainda há uma forte ideologia de dominação que nega a estética, a identidade, o protagonismo, do negro na história; a ideia de negro como sujeito ainda é altamente rejeitada, então a mídia ainda vê o negro como um objeto e não aquele que pode ser sujeito da ação". Olívia Santana
Como é contemporâneo, porque na verdade nos negros não temos a propriedade nem parte da propriedade dos meios de comunicação. Ainda há uma forte ideologia de dominação que nega a estética, a identidade, o protagonismo, do negro na história; a ideia de negro como sujeito ainda é altamente rejeitada, então a mídia ainda vê o negro como um objeto e não aquele que pode ser sujeito da ação". Olívia Santana
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